É de se estranhar. É de se estranhar que ainda hoje exista alguém assim. Ouvindo Belchior, olhando o trânsito, parando pra conversar (sem dúvida), é de se estranhar.
Quem cantava com vigor tem a vitrola muda, tem ainda os mesmos sonhos escondidos daquela geração que não decolou. E eu sou um de seus filhos. Usando, usando,usando... tudo ao mesmo tempo, tudo pra ontem, me conheço pelo o que diz a CBN e o que escreve Arnaldo Jabor. Todo dia durmo pensando na menina quieta vermelhista, pensando por que nada muda, sentindo culpa e torcendo pra logo acordar. Quem ficou agora esconde a mágoa, diz bom dia e dá risada, vai comprar pão numa padaria do Leblon, tem no rosto um tom, quase que uma marca, se soubesse o que é, sentiria falta, mas esse povo perdeu o seu encanto quando 68 anunciou seu réveillon.
Livro do mês no criado mudo
- A História dos Mártires - John Foxe